Os transtornos do espectro do autismo (TEA) são um grupo de desordens complexas, o diagnóstico é feito a partir de prejuízos nos déficits sociais e de comunicação bem como nos comportamentos repetitivos e restritivos. Esses sinais e sintomas devem levar a dificuldades adaptativas importantes estando presentes, geralmente, antes dos três anos de idade.
A causa do autismo é ainda desconhecida. Dezenas de estudos tentam desvendar os fatores genéticos que se associam à doença, embora ainda não exista um consenso entre os autores, mas estudos atuais têm demonstrado que o autismo é multifatorial e depende de componentes genéticos e ambientais, algumas causas associadas ao autismo tais como deficiência mental, convulsões, diminuição de neurônios, maior tamanho do encéfalo, maior concentração de serotonina, são causas neurobiológicas e sugerem forte componente genético.
O autismo tem uma estatística de vinte entre cada dez mil nascidos, ocorre predominantemente em meninos na proporção de quatro meninos para uma menina, é freqüente a ocorrência do autismo entre irmãos. Está presente em todo o mundo e em famílias de qualquer configuração racial, étnica e social. Os primeiros sinais podem ser observados entre os 4 e os 8 meses de idade, devido ao atraso da fala e da motricidade.

As características e manifestações clinicas:

As características clínicas do autismo podem interferir em diferentes áreas de ocupação, tais como as atividades de vida diária (AVD) e instrumentais de vida diária, lazer, sono e descanso, no brincar, na escola, na participação social e no trabalho.
As manifestações clínicas variam em níveis de gravidade, algumas crianças, por exemplo, denominadas de “autistas de alto funcionamento”, chegam a se desenvolver de maneira parcial e independente, apresentando um nível de intelecto dentro da normalidade, o que os permite ter uma qualidade de vida.
Segundo a ASA (Autism Society of American – www.autism-society.org), indivíduos com autismo usualmente exibem varias características, mas é importante salientar que nem todos os indivíduos com autismo apresentam todos estes sintomas, porém a maioria dos sintomas pode estar presente nos primeiros anos de vida da criança, estes variam de leve a grave e em intensidade de sintoma para sintoma. Não existem exames laboratoriais ou de imagem que diagnostiquem o autismo, o diagnóstico é clínico, apenas através de observação.

Terapia Ocupacional

Quando falamos em Terapia Ocupacional Infantil, nos remetemos a três grandes áreas nas quais são de extrema importância na infância: AVDs (atividades da vida diária), atividades relacionadas ao trabalho, escola e as brincadeiras. A criança aprende sobre o mundo quando interage com ele, usando as informações que lhe chegam pelos sentidos, essas interações se dão através do brincar, sendo este o principal recurso utilizado pela Terapeuta Ocupacional. O objetivo global da terapia ocupacional é ajudar a pessoa com autismo a melhorar a qualidade de vida em casa e na escola. O terapeuta ajuda a introduzir, manter e melhorar as habilidades para que as pessoas com autismo possam chegar à independência.

Equoterapia

Definida pela Associação Nacional de Equoterapia (ANDE) a equoterapia é um método terapêutico que utiliza o cavalo dentro de uma abordagem interdisciplinar aplicada nas áreas de saúde e educação, buscando o desenvolvimento biopsicossocial de pessoas com necessidades especiais.

Esta modalidade de terapia vem sendo utilizada como tratamento reabilitador em diferentes patologias, no entanto, sua eficácia ainda necessita ser comprovada no que tange ao desempenho funcional dos indivíduos que apresentam transtornos do espectro do autismo. A utilização do cavalo no tratamento equoterápico, além da função cinesioterápica, produz importante participação no aspecto psíquico, uma vez que o indivíduo usa o animal para desenvolver e modificar atitudes e comportamentos (GAVARINI, 1997).

A Casa de Eurípedes possui um centro de equoterapia – Rancho de Luz” em parceria com o programa equoterapia do SENAR/GO – que ao longo dos anos vem obtendo bons resultados, principalmente na melhora da socialização, interação, noção temporal e espacial, linguagem, organização, diminuição da ansiedade, equilíbrio, coordenação motora, melhor percepção do mundo externo e ajuste tônico – postural adequado.
Para maiores informações entrar em contato com equitador do Centro: Eliana A. Vicente Pinto pelo (62) 982451875 – no horário comercial e agendar uma visita.

Susana Cristina Barbosa Gilberti
Terapeuta Ocupacional e Equoterapeuta
CREFITO 11-3401/TO

Referencias
Anais… I CONGRESSO IBERO AMERICANO DE EQUOTERAPIA, III CONGRESSO BRASILEIRO DE EQUOTERAPIA. Salvador – Bahia, 2004
ENDER, D. D.: GUARANY, N. R. Efeito da equoterapia no desempenho funcional de crianças e adolescentes com autismo.
CONGRESSO BRASILEIRO DE EQUOTERAPIA, 1, 1999, Brasília. Anais… Brasília: Ande Brasil, 1999.
FREIRE, H. B. G. G. O. Equoterapia teoria e técnica: uma experiência com crianças autistas.São Paulo: Vetor, 1999.
GAVARINI, G. Aspectos Teóricos da Reabilitação Eqüestre. In: Wilsom de Moura (Coord.). Coletânea de Artigos Traduzidos pela Equipe do Princípio Programa de Equoterapia do Pará. Pará, 1997.

 

Deixe uma resposta